Uma nova plataforma digital está lançando luz sobre a produção cultural das periferias de Maceió. O Ecos da Periferia, lançada nesta terça (10), reúne cerca de 50 grupos e artistas de diferentes áreas, com o objetivo de documentar, preservar e dar visibilidade às expressões culturais presentes nos territórios periféricos da capital alagoana.
O projeto é fruto da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio de edital realizado pela Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de Maceió (Semce).
A iniciativa funciona como um repositório digital que organiza informações sobre iniciativas culturais locais, incluindo fotos, histórias, trabalhos realizados e um mapa interativo que mostra onde essas expressões acontecem na cidade. A plataforma contempla diferentes categorias culturais, como folguedo, música, cultura popular, artesanato, teatro, audiovisual, cultura nerd e literatura.
A proposta surge em um contexto em que boa parte dessa produção cultural ainda enfrenta invisibilidade. Apesar da diversidade e da força criativa presente nas periferias, muitos grupos e artistas têm pouca presença em registros oficiais ou espaços de divulgação.
Segundo os idealizadores, o Ecos da Periferia vai além de um catálogo. A plataforma também busca funcionar como um canal de conexão, ampliando as possibilidades de circulação, reconhecimento e acesso a oportunidades para agentes culturais locais.
“O acesso a espaços de visibilidade ainda é muito desigual. Ter uma plataforma como essa é fundamental para mostrar o nosso trabalho e o nosso potencial”, afirma o cineasta, produtor cultural e empreendedor social Odilon Gomes, um dos artistas presentes na iniciativa.
Morador do bairro Benedito Bentes, Odilon atua na formação de crianças e jovens por meio do audiovisual, ensinando fotografia e produção de vídeos. Em 2024, teve reconhecimento internacional ao ser premiado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em Portugal, com o curta Uma Carta Para o Mundo. Em seus projetos, ele conecta educação e cultura com o lema “Do Biu para o mundo”, em referência ao território onde atua.
Para além da visibilidade individual, iniciativas como o Ecos da Periferia também contribuem para a construção de memória cultural. Ao registrar grupos e artistas, a plataforma ajuda a combater o apagamento histórico dessas produções e reforça a importância da cultura como ferramenta de expressão, identidade e resistência nas periferias.
A expectativa é que o número de grupos cadastrados cresça ao longo dos próximos meses, ampliando o alcance do projeto e fortalecendo a rede cultural periférica em Maceió.








