Fake news: o que significa e como identificar desinformação na internet

Com o avançar do processo eleitoral, tema tem sido muito explorado por campanhas políticas

Imagem de megafone sobre fundo vermelho - Matéria o que significa fake news
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Fake news, conteúdo enganoso e inverdades são alguns dos termos para se referir à desinformação, que tem se propagado massivamente durante o período eleitoral no Brasil. Isso acontece porque os conteúdos falsos de cunho político se tornaram uma potente ferramenta utilizada por políticos e apoiadores para atacar e descredibilizar opositores. Os disparos desse tipo de conteúdos nas redes sociais podem, inclusive, interferir nos processos políticos e mudar o curso das eleições.

Com a intensa disseminação de conteúdos falsos, dúvidas e questionamentos relacionados ao tema surgem com frequência na internet. Para contribuir com o combate à desinformação e auxiliar o eleitor nesse período, a equipe do projeto Nordeste Sem Fake, da Agência Tatu, identificou e respondeu as principais questões sobre o tema buscadas pelos eleitores no Google nos últimos dias.

O que significa fake news?

Fake News é uma expressão que em tradução livre significa “notícias falsas”. O termo se refere à informações inverídicas produzidas em formato que se assemelha à notícias verdadeiras com o objetivo de enganar o leitor, o que faz com que essas notícias falsas sejam compartilhadas massivamente e, assim, a desinformação se propague.

O estilo sensacionalista das fake news potencializa seu efeito apelativo, o que tem como consequência os inúmeros cliques e compartilhamentos do conteúdo nas redes sociais. Com chamadas atrativas, elas são utilizadas para distorcer informações e legitimar ideias falsas que descredibilizam figuras públicas, sobretudo, políticos.

Nas reportagens da Agência Tatu sobre o assunto preferimos utilizar o termo desinformação, pois acreditamos que notícias são produto do trabalho jornalístico, que exige apuração e checagem dos fatos. Portanto, para nós, se é fake não poderia ser news.

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Ilustração – Freepik

Como identificar fake news?

Para identificar se um conteúdo é falso, é necessário se manter atento a alguns pontos. Aspectos como a fonte dos dados, o conteúdo da informação e a URL do site que originou a mensagem são centrais para saber identificar se a mensagem é confiável ou não. Verifique se o site onde a informação está publicada é credível e se não possui conteúdos majoritariamente sensacionalistas. Outros pontos a serem observados, dizem respeito aos erros de ortografia, autoria do texto e data de publicação. Confira se o conteúdo é recente e foi publicado por fontes com credibilidade.

Além disso, leia o conteúdo inteiro e não somente a manchete para entender se aquele assunto pode ser confiável e busque fontes oficiais sobre o assunto tratado. Sempre duvide de todo o conteúdo que chega a você nas redes sociais. Em uma rápida busca na internet, verifique se a informação já foi publicada por outros sites ou, caso desconfie que seja falsa, confira se já foi checada por alguma agência de checagem de fatos. Se mesmo após seguir esse passo a passo, você permanecer em dúvida se a informação é falsa ou verdadeira, não compartilhe com outras pessoas.

Como saber se um vídeo é fake news?

O primeiro passo para conferir a veracidade de um vídeo é saber se é original ou é um trecho tirado de contexto. Para isso, deve-se realizar uma busca na internet com palavras-chaves que aparecem no conteúdo do vídeo ou com um print da tela com o objetivo de identificar outras postagens com aquele vídeo e também observar a presença ou não de cortes bruscos. Outras características essenciais para se considerar, é a baixa resolução da imagem, a montagem dos vídeos com diferentes trechos fora do contexto e o uso de conteúdos apelativos.

Em seguida, é preciso identificar na publicação original do vídeo se a informação que chegou até você bate com o que está sendo dito no vídeo original e não foi tirada de contexto. Outro passo se resume em procurar identificar o local em que o vídeo foi filmado e a data mais aproximada. Para isso, é preciso analisar os elementos do conteúdo visual como um todo: o fundo da imagem, a paisagem que aparece, as vestimentas das pessoas que são filmadas e alguma placa ou indicação de lugar onde seja possível reconhecer o ambiente.

Quando se tratar de deepfakes em formato de vídeo, ou seja, conteúdos que utilizam de recursos de inteligência artificial para produzir falas e imagens falsas, esse cuidado deve incluir também uma atenção redobrada à fisionomia do rosto da pessoa filmada: sobrancelhas, olhos, boca, e alguma característica que leve a duvidar que o conteúdo não é verdadeiro e foi modificado.

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Investigando desinformação – Freepik

Como combater fake news?

Não compartilhar informações que gerem dúvidas quanto a sua veracidade é uma das principais medidas de combate a fake news. Outras formas de combate podem ser feitas a partir da denúncia desse conteúdo enganoso e do uso de serviços e canais de checagem de notícias falsas, como os aplicativos do TSE, o projeto Nordeste Sem Fake e outras agências de checagem como Aos Fatos, Lupa e Comprova.

É preciso também praticar um olhar crítico para as informações que chegam por meio dos aplicativos de mensagens instantâneas e as redes sociais para que o ciclo de compartilhamento de notícias falsas seja rompido de vez.

Fake news é crime?

Não existe nenhuma lei que tipifique expressamente como crime a criação e propagação de fake news no Brasil. No entanto, dentro do Código Penal, a prática pode se configurar como crime contra a honra, recebendo a classificação de injúria, calúnia ou difamação.

Se considerarmos a legislação eleitoral, a prática é considerada crime durante todo o período de campanha. As fake news aparecem na  Resolução nº 23.671/2021 como “fatos sabidamente inverídicos” e como penalidade, o candidato pode ter o conteúdo falso removido, ter seu mandato cassado ou até se tornar inelegível.

Além disso, é passível de multa ou detenção de dois meses a um ano, aqueles que divulgarem na propaganda eleitoral ou durante período de campanha eleitoral, fatos que sabe inverídicos em relação a partidos ou candidatas e candidatos e capazes de exercer influência perante a eleitora e o eleitor.

Essas medidas estão previstas na Resolução nº 23.671/2021 que afirma: “Art. 9º-A. É vedada a divulgação ou compartilhamento de fatos sabidamente inverídicos ou gravemente descontextualizados que atinja a integridade do processo eleitoral, inclusive os processos de votação, apuração e totalização de votos, devendo o juízo eleitoral, a requerimento do Ministério Público, determinar a cessação do ilícito, sem prejuízo da apuração de responsabilidade penal, abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação”.

Atualmente, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto da Lei das Fake News que tem como proposta a criação da Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, que estabelece normas de transparência de redes sociais e de serviços de mensagens privadas voltadas ao combate à desinformação e o aumento da transparência na internet. Além desse projeto, o combate a desinformação é um tema presente em pelo menos 17 propostas que estão sendo tratadas no Senado.

Como denunciar fake news?

As redes sociais, principais espaços de disseminação de fake news, disponibilizam mecanismos para que os usuários possam denunciar os conteúdos falsos. Para realizar a denúncia em plataformas como Facebook, Twitter, Instagram, Whatsapp, os usuários devem localizar o botão de “denunciar publicação” nas postagens e marcar a opção que identifica que aquela é uma informação falsa.

Além disso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), possui um Sistema de Alerta voltado ao combate às desinformações durante as eleições. O canal possibilita o envio de denúncias  sobre o processo eleitoral e inclui, entre outras ferramentas, o aplicativo Pardal e a Denúncia Eleitoral de disparo em massa pelo Whatsapp. O órgão também conta com um assistente virtual responsável por checar notícias pelo whatsapp.

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