A Agência Tatu investigou o perfil dos deputados estaduais do Nordeste para mapear a composição partidária das assembleias legislativas do Nordeste e entender quais siglas dominam as bancadas regionais. Por meio de consultas ao quadro de parlamentares das assembleias e análise dos registros partidários dos representantes estaduais, traçamos um panorama do tabuleiro político da região.
O PT (Partido dos Trabalhadores) é a sigla com mais deputados estaduais no Nordeste, totalizando 40 parlamentares distribuídos pelas assembleias, sua maior bancada está no Piauí, com 11 deputados estaduais.
O PP (Partido Progressista) aparece em segundo lugar, com 38 parlamentares espalhados pelos estados nordestinos. Pernambuco concentra sua maior representação, com 8 deputados estaduais. Outros partidos também se destacam no cenário regional como o PSB (Partido Socialista Brasileiro) que possui 37 deputados e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) que conta com 35 parlamentares.
Esquerda ou direita?
Além de identificar os partidos mais presentes, a reportagem buscou classificá-los ideologicamente, mas como já mostramos em outra matéria da Tatu, afirmar se esses deputados estaduais são de partidos de direita ou esquerda é uma tarefa complexa.
Para esclarecer esse panorama, consultamos o professor Magno Francisco, doutorando em filosofia pela Universidade Federal de Sergipe e mestre em história pela UFAL.
“No Brasil, existem muitos partidos. Podemos dizer que na esquerda radical há a UP, PCB, PSTU e PCO. A esquerda reformista seria o PT, PSOL, PDT e PC do B. Na direita o cenário é mais complexo porque o pragmatismo é maior, mas é possível dizer que DEM, NOVO E PL são os partidos radicais à direita e PSDB e MDB seriam uma direita liberal, porém, nesses partidos há uma forte influência de lideranças regionais que fazem com que em cada região o partido assuma uma feição”, explica.
Conceitos se misturam
“No Brasil, é muito difícil você se declarar ‘efetivamente de direita ou de esquerda’ porque outros conceitos se misturam”, explica a cientista política Luciana Santana, professora da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
A esquerda abrange ideologias como a social-democracia, o progressismo, o socialismo e o ambientalismo, afirma a professora. No campo econômico, ela busca uma atuação estatal forte para garantir uma economia “mais justa e solidária”, focada na distribuição de renda e na intervenção do Estado para promover a justiça social.
A direita, para a pesquisadora, atua em um sentido oposto. Na perspectiva da direita política o Estado não deve intervir na economia, que seria mais eficiente por meio da autorregulação do mercado. Essa visão está fortemente associada ao liberalismo econômico, que defende a livre iniciativa e a proteção da propriedade privada, diz.









