Segundo dados do Datasus analisados pela Agência Tatu, Pernambuco enfrenta um cenário crítico de meningite. Entre janeiro e fevereiro de 2026, o estado já contabiliza 26 casos diagnosticados da doença e assume o topo do ranking na região Nordeste pelo terceiro ano seguido, e também o coloca como o quinto estado com mais registros da doença em todo o Brasil neste início de ano.
Esse cenário é fruto de um salto drástico quando os registros saíram de 29 casos em 2022 para 813 em 2023. Embora 2025 tenha apresentado uma redução, fechando o ano com 513 notificações, a tendência de alta em relação aos anos anteriores permanece.
No ranking também aparece a Bahia com 427 casos, seguida pelo Ceará, que contabiliza 409 notificações.
Público infantil é o mais vulnerável
Em Pernambuco, o grupo mais afetado pela meningite é o das crianças de 1 a 9 anos, que somam 1.375 casos nos últimos anos. O cenário entre adultos também gera alerta, quando somadas as faixas de 20 a 59 anos, o estado contabiliza 957 diagnósticos, evidenciando que a circulação da doença é uma preocupação para além da infância. Esse panorama reflete a tendência do Nordeste, onde o grupo infantil já registra 3.141 notificações e o de adultos 4.130.
Meningite bacteriana
O infectologista Fernando Maia, que atua na rede de saúde de Maceió (AL), define a patologia, “A meningite é a inflamação das meninges, que são as membranas que envolvem o cérebro por fora, e aí a inflamação das meninges é a meningite. Ela pode ser causada por muitos agentes diferentes, ela pode ser causada por bactéria, por vírus, por fungo e outros agentes”.
O infectologista ainda destaca que, enquanto a meningite viral costuma ser benigna, a versão bacteriana exige alerta máximo por sua gravidade e potencial epidêmico. Ele reforça que o protocolo para casos bacterianos inclui internação hospitalar imediata.
“O que causa preocupação realmente é a meningite bacteriana, porque essa é mais grave, pode causar, tem capacidade de causar surtos e epidemias e pode fazer formas muito graves e levar pessoas à morte, inclusive como já aconteceu nos últimos anos aqui (Maceió), por isso essa preocupação.”
Outro agravante também surge na meningite bacteriana, já que a rede pública oferece vacina apenas para o tipo C, uma subdivisão da bactéria, e a quimioprofilaxia dos contatos próximos torna-se a principal ferramenta para evitar surtos decorrentes de um caso confirmado.
“A gente isola esse caso, obrigatoriamente o paciente tem que ser tratado dentro do hospital com medicação na veia e os contactantes as pessoas tiveram um contato próximo com aquela pessoa vão receber a quimioprofilaxia, então faz-se medicamento, faz-se um antibiótico para evitar novos casos decorrentes desse que apareceu. Então o que a gente faz é chamada quimioprofilaxia para bloquear o aparecimento de novos casos”.
Aumento nos últimos anos
O especialista analisa o crescimento da doença e alerta que embora a vacina contra o sorogrupo C esteja disponível no SUS, Maceió enfrenta um surto desse tipo específico em 2026. O cenário reforça a preocupação com o avanço da meningite bacteriana nos últimos anos e evidencia a urgência de ampliar a cobertura vacinal.
“Então a gente teve entre 2021 e 2022, chegamos a ter um surto de doença meningocócica pelo tipo B, que há muitos anos não aparecia e que é o único tipo que não tem vacina na rede pública, existe vacina na rede privada. E este ano, já 2026, nós tivemos um pequeno surto de meningite pelo tipo C aqui em Maceió, que esse foi preocupante porque a meningite pelo tipo C já está contemplada na vacinação das crianças, elas já são vacinadas normalmente, já faz parte do calendário vacinal. E por isso, há a preocupação de ter que fazer esse bloqueio vacinal como foi feito, exatamente para evitar essa disseminação maior da doença aqui no estado”.
Transmissão
De acordo publicação do Ministério da Saúde, as meningites bacterianas e virais são propagadas principalmente pelo contato próximo entre indivíduos, ocorrendo por meio de gotículas respiratórias expelidas pela fala, tosse ou espirro. No entanto, esses agentes também podem ser disseminados pela via fecal-oral ou pelo consumo de água e alimentos contaminados.
É fundamental destacar que existem portadores assintomáticos, pessoas que, embora não apresentem sintomas da doença, abrigam as bactérias em seu organismo e podem transmiti-las a terceiros.
Em contrapartida, as meningites causadas por fungos ou parasitas não passam de uma pessoa para outra. No caso da meningite fúngica, a infecção geralmente ocorre pela inalação de esporos presentes no ambiente que, após entrarem nos pulmões, podem atingir as meninges. Já a forma parasitária da doença é adquirida habitualmente por meio da ingestão de alimentos que contenham o parasita em sua fase infecciosa.
Sintomas
Os sintomas da meningite podem variar conforme o agente causador, mas alguns sinais são comuns. Sintomas mais frequentes incluem febre, dor de cabeça intensa, rigidez no pescoço, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz. Em bebês e crianças pequenas, os sinais podem ser irritabilidade, choro persistente, recusa alimentar, vômitos e moleira estufada/inchada.
Sinais de gravidade incluem confusão mental, convulsões, dificuldade para acordar e manchas vermelhas ou arroxeadas na pele. Na presença desses sinais, o atendimento médico deve ser imediato.
Prevenção
A prevenção depende do agente causador, mas a vacinação é a principal medida de proteção, especialmente contra as meningites bacterianas.









