Boom do mel em Alagoas

Investimentos se multiplicam e mudam a vida de pequenos apicultores

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O zumbido das abelhas se mistura ao cheiro doce do mel recém-extraído no Apiário Recanto da Mata, na zona rural de Rio Largo, a 30 quilômetros de Maceió. É nesse cenário, cercado por caixas de criação, flores e vegetação nativa, que o apicultor Ailton José da Silva, 49 anos, aposta em uma atividade que transformou a rotina da família e acompanha o crescimento acelerado da apicultura em Alagoas.

“O mel é ouro”, resume. A frase curta traduz o valor que o produto passou a ter em sua vida. Embora ainda trabalhe como motorista, profissão exercida há 10 anos, Ailton acredita que a criação de abelhas deve, em breve, se tornar sua principal fonte de renda.

A primeira colheita permanece viva na memória. “Deu menos de meio balde de mel [cerca de 10 kg] e fiquei animado demais, bestinha”, relembra com um sorriso largo. Em 2025, após as primeiras experiências com abelhas africanizadas, ele decidiu formalizar o empreendimento como microempreendedor individual (MEI) e recorreu ao microcrédito rural do Banco do Nordeste (BNB) para estruturar o apiário.

Com investimento em tecnologia, insumos e na construção da chamada Casa do Mel, espaço utilizado para extração, armazenamento e beneficiamento do produto, o resultado superou as expectativas. Na safra mais recente, Ailton alcançou meia tonelada de mel produzido. “Agora a gente ‘estourou’, graças a Deus, e vamos trabalhar para aumentar ainda mais”, comemora.

Atualmente, o criador de abelhas recebe orientações do Sebrae Alagoas para desenvolver embalagens padronizadas e aguarda a emissão do Selo de Inspeção Municipal (SIM) pela Prefeitura de Rio Largo. A certificação sanitária permitirá comercializar os produtos em supermercados da Grande Maceió, já que o selo é reconhecido pelo Consórcio Metropolitano. “É um passo de cada vez, mas a meta é fazer o mel chegar a outros países”, projeta.

Enquanto isso, a divulgação acontece entre amigos, familiares e por meio do perfil @ailtondomelofc no Instagram. O mel é vendido em frascos de diferentes tamanhos para atender públicos variados. Os potes com favos também estão entre os produtos mais procurados pelos clientes.

Confira o vídeo abaixo e descubra como Ailton conseguiu ampliar a produção de mel. A Agência Tatu acompanhou um dia de trabalho no apiário e mostra todas as etapas do processo, desde a criação das abelhas até o produto pronto para consumo.  

Mas a trajetória de Ailton não é um caso isolado. O crescimento vivido pelo apicultor acompanha o avanço da cadeia produtiva do mel em Alagoas, impulsionada por crédito rural, assistência técnica e organização coletiva.

Dados do BNB, solicitados e analisados pela Agência Tatu, mostram que os investimentos do microcrédito rural Agroamigo destinados à apicultura no Nordeste saltaram de R$ 32,6 milhões em 2022 para R$ 139,5 milhões em 2025, aumento de 327%.

Entre os nove estados nordestinos, Alagoas liderou o crescimento proporcional, com avanço de 931%, em que os investimentos passaram de R$ 118 mil para R$ 1,2 milhão. No mesmo período, a apicultura registrou o maior crescimento entre todas as atividades financiadas pelo banco no estado, superando a avicultura (450%) e a criação de bovinos (289%). O levantamento considerou apenas atividades com registros nos dois anos analisados.

Os números da produção também apontam expansão. Dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa da Pecuária Municipal de 2024, revelam que Alagoas produziu 538 toneladas de mel, alta de 44% em relação às 372 toneladas registradas em 2020. Lideranças do setor, porém, consideram os dados defasados, diante do crescimento recente observado no estado.

Mais do que estatísticas, a criação de abelhas representou um divisor de águas para Ailton. O envolvimento com o trabalho se tornou tão intenso que ele passou a ser conhecido como “Ailton do Mel”, apelido que ganhou força entre clientes e moradores da região.

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Ailton sonha em ter a apicultura como fonte principal de renda (Foto: Mychelle Maia/Agência Tatu)

“O mel hoje na minha vida é tudo, porque cuidamos das abelhas, isso faz bem para a natureza, temos mel puro, clientes satisfeitos e uma fonte de renda para minha família. Quero trabalhar para mim mesmo, consolidar meu negócio, permanecer aqui com minha família e até abrir portas para outras pessoas, gerando emprego”, destaca.

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Mei é maioria entre os apicultores formalizados

Além do financiamento, Ailton afirma que o suporte técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e do Sebrae foi decisivo para ampliar a produtividade do apiário. O técnico responsável pelo acompanhamento, Matheus Barbosa, zootecnista e especialista em apicultura, reconhece a evolução do produtor rural.

“Assim como muitos apicultores, Ailton começou sem curso e sem muito conhecimento, mas teve a preocupação de buscar orientação técnica. Depois disso, conseguiu crédito financeiro e investiu. Hoje está na base da cadeia produtiva, mas certamente crescerá ainda mais e ajudará a movimentar a economia local”, avalia o especialista.

Matheus acompanha trabalhadores rurais em diferentes regiões do estado e percebeu aumento na procura pela atividade após a pandemia. As formalizações registradas pela Junta Comercial de Alagoas (Juceal) reforçam essa tendência: entre 2014 e 2019 surgiram 77 empresas ligadas ao setor. Já entre 2020 e 2025, o número saltou para 365 novos negócios, crescimento de 374%.

Os dados da Juceal revelam ainda que, das 342 empresas ativas em março de 2026, 60% são microempreendedores individuais (MEIs), o equivalente a 204 registros. A maioria mantém a apicultura como atividade secundária: são 239 empresas nessa condição, enquanto 103 pessoas jurídicas declararam o segmento como atividade principal, a exemplo de Ailton do Mel.

Para Humberto Sant’Ana, analista do Sebrae Alagoas, a formalização é um passo essencial para organizar o setor e abrir caminhos para novos mercados. “Na prática, é uma certificação da existência do agricultor naquela atividade, um reconhecimento de que ele atua como produtor apícola. Isso viabiliza acesso a consultorias, capacitações, políticas públicas e amplia as possibilidades de comercialização”, explica.

Ele lembra que o agricultor familiar se formaliza por meio do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF). A partir desse registro, o produtor passa a ter acesso oficial a atendimentos e ações voltadas às necessidades específicas de cada propriedade.

Abelha como símbolo de esperança e futuro da família

A convite de Ailton, a reportagem esteve na casa da família, localizada a poucos metros da Casa do Mel. Logo na entrada, um desenho de abelha estampado na parede da sala chama atenção. A cachorrinha da família também recebeu o nome de “Mel”, sinais de que, naquele ambiente, as abelhas representam mais do que uma atividade econômica. “Até o ferrão eu acho doce”, brinca o apicultor.

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Ailton ao lado da esposa Joelsa, filha caçula Aylla de poucos dias, os filhos Vinícius (de preto) e Adriel (Foto: Mychelle Maia/Agência Tatu)

Ao redor da residência, o cenário é típico da zona rural. Nas “horas vagas”, ele planta raízes, grãos e cria aves para o consumo da família. O espaço também abriga colmeias de abelhas da tribo Meliponini, conhecidas popularmente como abelhas sem ferrão.

A paixão pela vida no campo inspira o filho Vinícius Manoel, de 17 anos. O estudante costuma pesquisar sobre apicultura na internet e compartilhar as informações com o pai, além de acompanhá-lo na rotina da Casa do Mel.

“É muito legal o trabalho das abelhas e também o do meu pai. Gosto de ver o mel escorrendo da melgueira [estrutura de madeira onde as abelhas armazenam o mel] e também de provar, porque é uma doçurinha”, comenta, ao afirmar que pretende seguir na atividade.

Pela primeira vez, mulheres são maioria no acesso ao microcrédito rural

Os dados do BNB revelam que, pela primeira vez, em 2024, mais de 50% dos investimentos do Agroamigo em todas as atividades financiadas nos nove estados nordestinos, além do Espírito Santo e Minas Gerais, foram contratados por mulheres.

Somente no Nordeste, em 2025, 54,9% dos créditos foram destinados ao público feminino, o equivalente a R$ 4,7 bilhões. Outro destaque é o crescimento histórico registrado de 2013 a 2025: entre as mulheres, o aumento foi de 832%, enquanto entre os homens chegou a 529%.

Segundo a gerente de Negócios do BNB, Luiza Jordão, o avanço reflete políticas de inclusão e incentivo ao empreendedorismo feminino. “As mulheres se tornaram maioria entre as clientes do Agroamigo em Alagoas porque linhas específicas, como quintais produtivos e juros reduzidos, ampliaram o acesso das agricultoras ao financiamento. Esse apoio fortalece a renda familiar e o desenvolvimento rural sustentável”, afirma.

Na região Sudeste, o crescimento ocorreu de forma mais tímida. Em Minas Gerais, em 2025, o crédito destinado a projetos liderados por mulheres representou 52,5% do total. Já no Espírito Santo, as contratações femininas ainda são minoria, correspondendo a 43,9% do volume financiado.

Diversidade de flora e tecnologia favorecem produção sustentável

Além do impacto econômico, a apicultura exerce papel fundamental para o meio ambiente e para a produção de alimentos.

A Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece que 75% das culturas alimentares do mundo dependem da polinização animal, processo de transferência de pólen essencial para a reprodução das plantas, formação de sementes e desenvolvimento dos frutos. Nesse cenário, as abelhas são consideradas os principais agentes polinizadores.

Com base nessa realidade, o técnico em apicultura Matheus Barbosa destaca que a atividade gera benefícios econômicos, sociais e ambientais simultaneamente.

Matheus Barbosa especialista em Apicultura - Boom do mel em Alagoas
Especialista em Apicultura, Matheus Barbosa destaca benefícios da atividade (Foto: Arquivo pessoal)

“A polinização aumenta a produtividade das culturas alimentares e contribui para o reflorestamento das matas nativas, porque a presença das abelhas amplia a quantidade de frutos e sementes. Além disso, grandes fazendeiros contam com o apoio dos apicultores para instalar colmeias nas matas, evitando desmatamento e presença de caçadores”, resume.

Outro ponto destacado pelo especialista é que o próprio ecossistema alagoano favorece a produção. Os diferentes biomas garantem floradas variadas ao longo do estado. No litoral, especialmente em áreas de manguezal, a própolis ganha destaque. Já o mel produzido na Zona da Mata possui características distintas daquele encontrado no Sertão, conferindo identidade própria aos produtos apícolas alagoanos.

A tecnologia também vem mudando a rotina no campo. No caso de Ailton, o produtor adquiriu três equipamentos que modernizaram o processo de extração:

  • Mesa desoperculadora:  equipamento que apoia os quadros de favos durante a retirada da camada de cera que cobre o mel;
  • Centrífuga: máquina que utiliza força centrífuga para extrair o mel dos favos e possibilita a reutilização da estrutura pelas abelhas;
  • Decantador: recipiente utilizado para armazenar e purificar o mel após a extração, separando impurezas como cera, pólen e bolhas de ar.

Com os novos equipamentos, o processo deixou de ser totalmente manual. “Dependendo da quantidade de caixas, os apicultores levavam até três dias para extrair o mel. Hoje conseguem finalizar o trabalho em poucas horas”, afirma Matheus.

“Atividade é promissora, mas cadeia produtiva depende de investimentos”, avalia economista

Para especialistas, o avanço da apicultura representa uma oportunidade estratégica para diversificar a economia alagoana, historicamente marcada pela monocultura da cana-de-açúcar.

O economista e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Luciano Barbosa, avalia que o segmento possui capacidade de se adaptar a diferentes territórios e gerar desenvolvimento regional.

A apicultura é bastante promissora, pois consegue se territorializar bem e se adaptar às diferentes localidades, oferecendo condições para gerar desenvolvimento territorial”, afirma.

Economista Luciano Barbosa Ufal Foto Thiago Aquino Photoroom - Boom do mel em Alagoas
Economista Luciano Barbosa avalia impactos econômicos (Foto: Thiago Aquino/Agência Tatu)

O especialista pondera, no entanto, que o crescimento da cadeia produtiva depende de investimentos em tecnologia, qualificação técnica e políticas públicas adaptadas às características de cada região. Para ele, também é necessário fortalecer a organização coletiva entre os produtores e ampliar os investimentos das três esferas de governo nas atividades rurais.

Luciano lembra que a apicultura possui ligação direta com a agricultura familiar, responsável por 83% da produção agrícola de Alagoas. “Isso reforça a importância de políticas voltadas aos agricultores familiares. Nesse contexto, a produção de mel surge como alternativa capaz de gerar emprego e renda, reduzir o êxodo rural, fortalecer economias locais e tornar os produtos competitivos no mercado”, pontua.

Economista destaca que apicultura pode desenvolvida em qualquer região de Alagoas (Foto: Sebrae)
Economista destaca que apicultura pode desenvolvida em qualquer região de Alagoas (Foto: Sebrae)

Doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento, o economista ressalta ainda que a atividade contribui para o processo de diversificação produtiva do estado. “O apicultor pode aproveitar sua área para desenvolver fruticultura e horticultura”, destaca.

A combinação de atividades, segundo o pesquisador, amplia as fontes de renda e reduz a vulnerabilidade econômica das famílias rurais. “A produção de derivados do mel agrega valor, aumenta a circulação de recursos nas comunidades e amplia a geração de empregos formais e informais. Estamos falando de um produto que contribui para a segurança alimentar e nutricional da população”, acrescenta.

O economista também defende a ampliação do acesso dos produtores aos mercados digitais e aos programas institucionais de compra pública, como os destinados à alimentação escolar.

Cooperativa no Sertao - Boom do mel em Alagoas

Associativismo une produtores e dinamiza produção

Se a organização coletiva aparece como um desafio para parte do setor, algumas experiências em Alagoas demonstram que o associativismo e o cooperativismo vêm se consolidando como ferramentas importantes para fortalecer a apicultura.

Além de ampliar a produção, a união entre pequenos criadores favorece capacitações, acesso a equipamentos, participação em eventos e reivindicações por políticas públicas.

A Cooperativa dos Produtores de Mel, Insumos e Produtos da Agricultura Familiar (Coopeapis), por exemplo, reúne 130 apicultores de 12 municípios do Sertão alagoano. A maioria dos cooperados é formada por agricultores familiares que têm na criação de abelhas a principal fonte de renda. As ações contam com apoio do Sebrae e da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

Uma das principais conquistas foi a implantação da Casa do Mel, construída estrategicamente às margens da AL-220 e utilizada como sede da cooperativa, no Distrito Piau, em Piranhas. Outro marco importante é o fornecimento de toneladas de alimentos para programas públicos, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e projetos de compra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Em Maceió, o bairro do Fernão Velho também se destaca na produção de mel e derivados. A região abriga a Associação de Apicultores do Fernão Velho (AAFV), formada por 25 produtores com foco na produção da própolis vermelha, produto genuinamente alagoano. Criada em 2023, a entidade conta com parceria da Federação da Agricultura e Pecuária de Alagoas (FAEAL) e do Senar.

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Apicultores de Fernão Velho em campo (Foto: Divulgação)

Para Mário Agra, mestre em Química e Biotecnologia, professor de Cooperativismo e com 15 anos de experiência em cooperativas agropecuárias, essas organizações cumprem papel essencial para suprir lacunas ainda existentes nas políticas públicas voltadas ao setor.

“As boas notícias da apicultura que levam Alagoas ao mundo são, na maioria das vezes, fruto do trabalho de cooperativas e associações, que representam uma grande alternativa para ampliar produção e qualidade”, afirma Mário Agra.

Ex-secretário estadual de Agricultura, ele preside a União dos Produtores de Própolis Vermelha do Estado de Alagoas (Unipropolis), entidade que reúne 400 apicultores em todo o litoral alagoano. Recentemente, ele também passou a liderar a cooperativa criada com o mesmo nome, voltada à ampliação da produção e da comercialização para os mercados nacional e internacional.

É preciso que os governos entendam a importância do mel e do apicultor em Alagoas. Não precisamos apenas de ações sociais simbólicas e pontuais, como entregas de caixas de abelhas. É necessário um olhar mais atento, porque Alagoas não se resume à criação de bovinos e à produção de leite, por exemplo”.

Mário Agra, presidente da Unipropolis

Microcrédito quebra monocultura e dá dignidade ao produtor rural

O avanço da apicultura em Alagoas também é acompanhado da expansão do microcrédito rural voltado à agricultura familiar. Criado para atender produtores enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o Agroamigo financia atividades agropecuárias e não agropecuárias desenvolvidas em propriedades rurais e áreas comunitárias.

Segundo o gerente estadual do programa em Alagoas, Shermans Carvalho, o diferencial está no acompanhamento realizado junto aos agricultores. “Não é crédito pelo crédito, mas um investimento acompanhado. Os agentes visitam o local onde o produtor pretende investir, tiram dúvidas, fazem o encaminhamento até a agência e, em dois dias, já apresentam retorno sobre a liberação. Depois, voltam para garantir que o recurso foi aplicado corretamente”, explica.

Shermans Carvalho, gerente estadual do Agroamigo em Alagoas (Foto: Thiago Aquino)
Gerente do Agroamigo em Alagoas, Shermans Carvalho, pontua impactos do microcrédito rural (Foto: Thiago Aquino/Agência Tatu)

Em 2025, o Banco do Nordeste injetou R$ 9,5 bilhões do Agroamigo nos 11 estados atendidos pela instituição. Mais do que impacto econômico, Shermans destaca as mudanças percebidas diretamente na vida das famílias rurais.

“São relatos, como o do Ailton, que demonstram de forma concreta o objetivo do programa: garantir autonomia financeira, dignidade ao produtor e quebrar a monocultura da cana-de-açúcar”, enfatiza.

O microcrédito rural pode ser solicitado em uma das 12 agências do estado. Além disso, 71 agentes de crédito atuam nos 102 municípios alagoanos. O gerente estadual de Negócios do BNB, Diogo Vilela, afirma que os critérios de acesso ao financiamento levam em consideração a realidade do agricultor familiar.

“Para acessar o crédito, o produtor precisa ter o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) e ser proprietário ou arrendatário da terra. Flexibilizamos as exigências porque muitos pequenos produtores possuem o domínio da área, mas não a posse formal da propriedade”, esclarece.

Consultorias e orientações abrem caminhos para apicultores

Além do crédito rural, a assistência técnica aparece como um dos pilares para o fortalecimento da cadeia produtiva da apicultura em Alagoas.

O Sebrae acompanha o desenvolvimento do segmento há cerca de 30 anos, do litoral ao sertão, com ações voltadas às potencialidades e necessidades específicas de cada região. “A partir da observação e de diagnósticos iniciais, estruturamos planos de ação conectados à realidade local, com foco no fortalecimento da atividade e no aumento da competitividade dos produtores”, afirma o analista Humberto Sant’Anna.

Para atender às demandas dos criadores, o Sebrae oferece palestras, oficinas e consultorias tecnológicas personalizadas. Uma das mais procuradas é a de Boas Práticas em Apicultura e Meliponicultura, atividade voltada à criação racional de abelhas sem ferrão.

Acompanhamos desde o início da atividade até a comercialização dos produtos. Na maioria dos casos, a consultoria é realizada dentro da própria propriedade, permitindo um diagnóstico mais preciso e orientações aplicadas à rotina do produtor. Como resultado, há ganhos significativos de produtividade e melhoria da qualidade”, explica Humberto.

Humberto SantAnna analista do Sebrae Alagoas foto Julio Vasconcelos - Boom do mel em Alagoas
Humberto Sant’Anna é analista do Sebrae Alagoas (Foto: Júlio Vasconcelos)

Além das orientações individuais, existem consultorias voltadas à organização coletiva e ao fortalecimento da comercialização em grupo. A proposta é estruturar estratégias de mercado e ampliar a competitividade dos produtores.

A cooperativa em Piranhas e o Apiário Zumbi dos Palmares, em União dos Palmares, estão entre os empreendimentos que receberam esse suporte técnico ao longo do processo de crescimento.

Publicado em 15/05/2026, às 12h20

Reportagem: Thiago Aquino
Produção de vídeo: Mychelle Maia
Edição de texto: Graziela França; Lucas Maia
Edição visual: Lucas Thaynan
Infografia: Allan Rodrigues
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