Alagoas tem segunda pior cobertura vacinal desde 1998

COMPARTILHE

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on print

Presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações detalha motivos para baixa adesão vacinal

Foto: Breno Ezaki

Por Graziela França

Instrumentos importantes para a prevenção e responsáveis pela erradicação de diversas doenças no país, as vacinas disponibilizadas nas unidades de saúde pelo Programa Nacional de Imunização tiveram uma baixa adesão durante o ano passado, conforme dados coletados pela Fiquem Sabendo e analisados pela Agência Tatu.

Levando em consideração a média das 24 vacinas ofertadas atualmente pelo Sistema Único de Saúde, a cobertura geral atingida em Alagoas foi de 59,29% no ano passado, a menor desde 2016, quando o número atingido foi de 44,88% do público estimado. A cobertura alcançada em 2020 é ainda a segunda menor desde 1998 e uma das menores da série histórica. Veja o gráfico.

A cobertura vacinal de Alagoas foi a 3ª menor do Nordeste no ano passado, ficando atrás apenas do Maranhão (50,36%) e de Sergipe (58,73%). Imunizantes como BCG, Hepatite B para bebês de até 30 dias, Poliomielite para crianças de 4 anos, Pneumocócica, Meningococo C, Tríplice Viral e  Tríplice Bacteriana Acelular do Tipo Adulto tiveram o pior desempenho da série histórica, que vai de 1995 a 2020. 

Vale ressaltar também que muitos imunizantes foram inseridos no calendário vacinal brasileiro ao longo dos anos.

Baixa adesão às vacinas preocupa órgãos de saúde

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, essa redução já era observada em todo mundo e, aqui no Brasil, desde 2015.  “Tanto é que em 2019 para nenhuma das vacinas aplicadas no primeiro ano de vida a gente conseguiu atingir a meta. Isso já era alertado pelo Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde. Em 2019, a OMS chama a atenção sobre a hesitação de vacinar, que é considerada uma das 10 ameaças para a saúde pública mundial”, explicou.

Juarez Cunha / Foto: reprodução SBIM

Entre as causas apontadas pela OMS estão os chamados três Cs: confiança, complacência e conveniência. A confiança não se refere à eficácia do produto apenas, mas tem relação com a confiança nos governantes, instituições e profissionais de saúde. A complacência é uma falsa sensação de segurança, porque muitos pais não tiveram contato com as doenças erradicadas pelas vacinas e, assim, não vêem a necessidade de vacinar seus filhos. Já a conveniência se refere ao acolhimento da unidade de saúde, horário de atendimento, espaço físico e da compreensão dos profissionais de saúde.

Durante a pandemia da Covid-19 mais dois Cs foram incluídos na lista: Comunicação e contexto. No primeiro caso é a forma que os órgãos oficiais comunicam a importância dos imunizantes e sua eficácia, enquanto o segundo é sobre a vulnerabilidade de determinadas populações.

Ainda segundo o presidente da SBIm, alterar todos esses fatores é um desafio, e não garantir a imunização da população traz sérios riscos à população, como a possibilidade de reintrodução de doenças já erradicadas ou aumento de casos de doenças consideradas controladas. 

“Em 2018 tivemos a reintrodução do sarampo, devido à baixa cobertura vacinal. Outras doenças já erradicadas sofrem o mesmo risco, como a poliomielite, rubéola congênita e materna, além de tétano neonatal. Todas as outras doenças que temos vacina na infância foram controladas, com redução dos casos que variam de 70% a mais de 90%, como a coqueluche e meningites”, alertou Cunha.

Por fim, o presidente da SBIm ainda reforçou o risco de aumento de casos de doenças respiratórias a partir dos próximos meses. “Vale salientar que durante a pandemia todas as doenças de transmissão respiratória diminuíram muito por conta das medidas restritivas, mas a tendência é voltar com força com o retorno das atividades, das aulas e com a população não vacinada”, finalizou.

A enfermeira do Programa Nacional de Imunização de Alagoas, Emily Silva, a pandemia e movimentos “antivacina” motivaram a redução da procura das unidades de sa´úde. Ela falou ainda que no estado o incentivo à vacinação é feito também pelos municípios.

“Atualmente estamos com a Campanha Nacional de Multivacinação para atualização da caderneta de vacinação de crianças de adolescentes que teve início dia 1º de outubro. Desta forma, Alagoas conta com a parceria das equipes de vacinação para um chamamento mais preciso e até mesmo busca ativa nos municípios que têm cobertura total da Estratégia Saúde da Família”, relata.

Por se tratar de uma campanha que contempla crianças e adolescentes em idades escolares muitos municípios contam ainda com o apoio do Programa Saúde na Escola, para contemplar um público maior na faixa etária preconizada (menores de 15 anos).

*Atualizada em 14 de outubro, às 8h50

DADOS ABERTOS | Prezamos pela transparência, por isso disponibilizamos a base de dados e documentos utilizados na produção desta matéria para consulta:

Assine a nossa newsletter

Recomendadas pra você

Receba conteúdo gratuito da Tatu diretamente no seu WhatsApp.