Covid-19 vitimou mais crianças do que adolescentes em Alagoas

Quase metade das 37 crianças que morreram de Covid-19 no estado eram bebês com menos de um ano de idade

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Há 11 dias iniciou a vacinação de crianças contra a Covid-19 em Alagoas. Um alívio para muitos pais e mães que esperavam ansiosos a oportunidade de garantir a imunização de seus filhos contra a doença que já vitimou 37 crianças entre 0 e 11 anos somente no estado. O número é superior à quantidade de adolescentes – dos 12 aos 17 anos – que foram vítimas fatais da doença. Foram 20 fatalidades por complicações do novo coronavírus nessa faixa etária.

De acordo com dados coletados pela Agência Tatu no portal de dados abertos de Alagoas, do total de mortes de crianças registradas no estado, 18 foram de bebês de menos de um ano. As crianças em idade vacinável, ou seja, entre 5 e 11 anos, contabilizaram dez mortes. Quase metade das crianças também não tinha comorbidades.



Para a jornalista Thayanne Magalhães, mãe do Gabriel, de 8 anos, e do Vicente, de 5, vacinar sempre foi uma certeza. Por isso, ela já garantiu a primeira dose do mais velho e aguarda ansiosamente a chegada da vacinação para a faixa etária do caçula.

“Eu nunca tive nenhuma dúvida com relação à vacina, porque eu acredito na ciência e eu sempre ouvi as orientações da OMS. Entre o final de 2020 e o início de 2021, eu vi dois casos de crianças conhecidas, de pessoas próximas, que morreram com sequelas da covid e isso foi me deixando angustiada e mais ansiosa pela vacina”, relata.

Thayanne contou ainda que assim que soube da liberação para as crianças de oito anos sem comorbidades, se direcionou a um dos pontos de vacinação. “Eu corri para a fila sem nenhuma dúvida de que eu estava fazendo aquilo para salvar a vida do meu filho, que vacinar é um ato de amor. A criança nasce e a gente vacina. O bebê chega a tomar três vacinas de uma vez só, ter reações, ter febre e toda mãe tem consciência disso”.



Em entrevista à reportagem, a infectologista Auriene Oliveira explica que as complicações pós Covid aparecem, em geral, duas ou três semanas após o quadro gripal. "Se nesse período a criança evolui com gravidade e precisa internar, o teste será realizado para confirmar a suspeita. Os hospitais e a vigilância epidemiológica estão atentos. Com o momento epidemiológico que estamos vivendo, a possibilidade de ser Covid está sempre em mente, sendo então feito o teste. Se confirmado, o óbito será registrado como consequência da doença", detalha a especialista.



Baixa adesão

Em Maceió, capital de Alagoas, a adesão à vacinação infantil tem sido baixa. Até ontem (27), apenas 6.267 crianças receberam a dose do imunizante pediátrico, uma estimativa de apenas 6,42% do público infantil apto à vacinação.

Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Maceió, algumas estratégias foram adotadas para a vacinação deste público, como a tematização de quatro pontos, o Domingão da Criança e utilização de elementos lúdicos que atraem as crianças.

O secretário executivo do Gabinete do Prefeito de Maceió, Claydson Moura, cobrou, recentemente, o comparecimento da população a esses pontos.“Todos os servidores estão empenhados em salvar vidas, mas isso só vai ser possível se as pessoas comparecerem aos pontos de vacinação, levarem seus filhos, seus sobrinhos, seus enteados. A eficácia e a segurança da vacina estão comprovadas pela Anvisa e a única consequência de não se imunizar é a piora dos casos”.

A mãe do Gabriel e do Vicente ainda aconselha outros pais e mães. “Se eu pudesse falar alguma coisa pras outras mães seria isso: Se lembrar quantas vezes elas desconfiaram de todas as vacinas que ela já levaram os filhos para tomar. Não dá para entender quem não quer vacinar o filho, quem não quer livrar o filho de uma doença que pode levar à morte”, completa.

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Thayanne Magalhães junto a seus filhos Gabriel (8) e Vicente (5) - Acervo pessoal

Para Thayanne, a vacina significa esperança de dias melhores. “Que as pessoas levem seus filhos para vacinar, para que a idade possa diminuir e que todo mundo seja vacinado, finalmente, e que a gente possa ter esperança do mundo voltar ao normal, porque não existe novo normal. Assim como outras pandemias aconteceram e as vacinas salvaram a humanidade, a gente pode voltar ao normal de novo se as pessoas se vacinarem”.

A infectologista Auriene Oliveira também reforça a importância da vacinação para os pequenos. "A vacina é nossa grande arma para diminuir a possibilidade de quadros graves, reduzir internação e diminuir a circulação do vírus. Mas, mesmo assim, as medidas de distanciamento, uso de máscaras e higiene adequada de mãos são ainda essenciais", finaliza.

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