Nordeste: eleitorado de 16 e 17 anos é o menor desde 2004

Alagoas segue a tendência e tem a menor quantidade de jovens aptos a votar de toda a série

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A quantidade de eleitores de 16 e 17 anos é a menor desde 2004 em todo o país. Em Alagoas, na última contagem, registrada em março deste ano, os votantes de 16 anos representam 5.676 pessoas, enquanto os de 17 anos são 12.518 eleitores ativos em todo o estado.

Os dados, coletados pela Agência Tatu, são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Da série analisada, em Alagoas o maior registro de eleitores adolescentes foi em 2012, há 10 anos, quando havia 16.708 votantes com 16 anos e 31.822 com 17. Ou seja, houve uma redução de 66,03% e 60,66% na comparação entre os anos.



Outra comparação é em relação à quantidade de eleitores adolescentes registrados na última eleição presidencial, em 2018, com os registrados em março de 2022. Nestes anos, a redução foi de 23,73% com 16 anos e 43,24% com 17.

Eleitorado jovem no Nordeste

Já no Nordeste, o mês de março de 2022 também apresentou o menor número do eleitorado adolescente, contando com 107.708 eleitores de 16 e 241.638 de 17 anos. Ao comparar com os dados da última eleição presidencial, havia 145.543 eleitores de 16 e 411.266 de 17 anos, ou seja, uma redução de 26% e 41,25%, respectivamente.

Já em todo o país havia 378.660 eleitores ativos de 16 anos e 1.138.437 de 17 anos, em 2018. Este ano, a redução foi de 15,7% para os jovens de 16 anos; e 35,7% para 17 anos, com 319.151 eleitores de 16 e 732.033 de 17 anos.

Também é possível observar, a partir dos dados da série histórica, que a quantidade de eleitores é geralmente maior nos anos de eleições municipais. “O que acontece é que nas eleições gerais [municipais], os eleitores acabam tendo mais contato direto com os candidatos. Principalmente em cidades menores, onde a população sempre os encontra nas ruas, nos estabelecimentos e até conhecem um candidato a vereador e prefeito. É diferente de um presidente ou de um candidato a senador e deputado”, afirma Ranulfo Paranhos, cientista político.

O que explica essa redução?

Paranhos informa, ainda, que os eleitores nessa faixa etária preferem não se expressar ou se envolver diretamente com assuntos da política, muitas vezes, por temerem pela exclusão social, que pode ser gerada devido a um posicionamento político.

“Os jovens não querem passar pelo cancelamento. Não desejam ser afetados por uma escolha política e acabarem excluídos socialmente do grupo que pertencem, então eles não vêem a precisão ou a necessidade de votar”, afirma.

O cientista político complementa que além disso os jovens estão menos interessados no voto pelo fato de ser facultativo até os 18 anos, além das questões processuais da eleição.

Já para Luciana Santana, também cientista política, há algumas hipóteses que explicam essa redução. A primeira seria o envelhecimento natural da população que, consequentemente, reduz esse público; e a segunda seria a conjuntura e a influência social.

“No próprio envelhecimento da população, você reduz naturalmente o número de jovens. O segundo é a questão mais conjuntural, de desincentivar, ou seja, a política não tem se tornado atrativa, então, naturalmente também não há incentivos em um período que você não tenha essa obrigação do voto. Há ainda a questão da socialização, como essa socialização política acontece na família, na escola e entre os amigos”, diz Luciana Santana.

Inscrição eleitoral online

O prazo para fazer o título ou regularizar as pendências eleitorais vai até o dia 4 de maio. O processo pode ser feito totalmente online, acessando o site TítuloNet, no Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Apesar do voto ser opcional para pessoas de 16 e 17 anos, há movimentações em massa nas ruas e nas redes sociais para incentivar o registro. Desde threads no Twitter até donos de estabelecimentos realizando a emissão gratuita para a população local.

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