Voto em candidatos de diferentes linhas políticas é algo comum e não interfere na lisura das eleições

Processo eleitoral presidencial tem sido questionado em razão de votos para cargos diversos seguirem linhas políticas opostas

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Imagens e áudios que estão sendo divulgados nas redes sociais têm questionado a lisura das eleições presidenciais ao alegar que não é possível que o candidato à Presidência da República, Luís Inácio Lula da Silva (PT), tenha obtido a maioria dos votos em estados que elegeram candidatos de direita e apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) para governos de estado e cargos legislativos.

Para cientista política, este cenário de votos em linhas políticas opostas para diferentes cargos é comum no Brasil e, portanto, não é possível constatar fraude nas eleições presidenciais se baseando neste tipo de argumento.

O que estão dizendo?

Conteúdos que estão circulando pelas redes sociais apontam fraude nas eleições se baseando na informação de que em alguns estados, os governadores e senadores de direita tenham sido eleitos ao mesmo tempo em que Lula foi o candidato à presidência mais votado. O áudio e a postagem usam como exemplo os resultados das eleições em Minas Gerais (MG) onde o petista obteve mais votos que Jair Bolsonaro e ao mesmo tempo, elegeu o senador Cleitinho (PSC) e Nikolas Ferreira (PL) e reelegeu o governador Zema (Novo), todos de direita. O conteúdo se baseia na eleição e reeleição desses candidatos para questionar o fato de que o atual presidente não tenha sido eleito no primeiro turno.

Confira a transcrição do áudio na íntegra:

“Meus compatriotas, cidadãos brasileiros, prestem atenção nisso aqui. Vocês acham possível que os braços do Bolsonaro, que os candidatos do Bolsonaro sejam eleitos ou reeleitos com ampla margem de vantagem, com ampla margem de votos e que o Bolsonaro também não tenha uma mesma ampla margem de votos? Faz o seguinte raciocínio. Quem vota Tarcisio de Freitas volta a Bolsonaro, quem vota em Marcos Pontes, vota Bolsonaro. Quem vota em Onyx Lorenzoni, vota em Bolsonaro. Quem vota Mourão, vota Bolsonaro. Quem vota Felipe Barros, vota Bolsonaro. Quem vota Damares Alves, vota Bolsonaro. Vocês acham mesmo que é possível de alguma forma que todos os candidatos do Bolsonaro, tenham ampla vantagem nas pesquisas sejam eleitos e reeleitos e o Bolsonaro não esteja com essa vantagem eleitoral e não seja eleito em primeiro turno? Para pra pensar. Vamos divulgar esse áudio, mandar para todo mundo porque eles estão tentando fraudar a eleição presidencial, mas eles não vão tentar, não tem como fraudar todos os votos de todas as eleições, então só todo mundo prestar atenção nisso e fazer pressão.”.

Oxe, é Fake

Não há indícios de que as eleições presidenciais foram fraudadas. Os votos de eleitores em diferentes linhas políticas para cargos distintos não é algo raro nas eleições brasileiras e não afeta a lisura do processo eleitoral no país.

Segundo a cientista política e professora da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Bárbara Johas, esse não é um fenômeno novo. “Na reeleição da Dilma, tivemos um senado composto por uma base não aliada, ou seja uma composição com muitos partidos de siglas da ideologia política direita. E essa é uma característica que tem se acentuado nas últimas eleições”, exemplifica.

Na primeira eleição de Dilma, ocorrida em 2010, esse fenômeno também aconteceu em Minas Gerais (MG) e ficou conhecido como “Dilmasia”, em razão de que os mineiros votaram em Dilma (PT) para presidência e em Antonio Anastasia (PSDB) para o governo estadual. Nas eleições atuais, a expressão passou a ser “Lulema”, visto que o estado votou em sua maioria para Lula e, ao mesmo tempo, reelegeu Zema para governador.

A cientista política também explica que essa prática pode ser entendida a partir da relação dos próprios eleitores com os políticos. “No Brasil, em geral, os eleitores têm uma identificação muito mais pessoalista com os candidatos do que propriamente ligada às ideologias partidárias que esses candidatos representam”, aponta Bárbara. Dessa forma, é comum que esse fenômeno aconteça durante as escolhas dos representantes políticos no Brasil.

Nordeste Sem Fake

O conteúdo falso foi encontrado pela robô Dandara, que monitora diariamente diversas redes sociais em busca de publicações com conteúdos potencialmente relacionados à desinformação. O trabalho tem a participação dos checadores do projeto Nordeste Sem Fake, da Agência Tatu. Mais checagens de fatos estão disponíveis no site.

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