Norte e Nordeste lideram crescimento do eleitorado com deficiência

Dados apontam aumento nos registros de autodeclaração de deficiências visuais e físicas, além da inclusão de novas categorias

11.08 EleitoresPCD - Norte e Nordeste lideram crescimento do eleitorado com deficiência
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Os dez estados em que mais cresceu o número de eleitores autodeclarados com deficiência entre 2010 e 2026 ficam no Norte e no Nordeste do país, segundo levantamento da Agência Tatu realizado com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

O movimento evidencia uma mudança na inclusão eleitoral das regiões, que registraram altas de 2.347,21% no Norte e 2.342,28% no Nordeste. Os índices superam a média nacional (1.285,94%), além de outras regiões como o Centro-Oeste (1.714,67%), Sul (1.516,73%) e o Sudeste (893,86%) no mesmo período.

Dentre os estados, o Ceará lidera o ranking, saltando de 2.097 eleitores com deficiência em 2010 para 98.001 em 2026, um aumento de 4.573%. Em seguida aparece o Piauí, que passou de 824 para 34.375 (4.072%), e o Acre, que foi de 247 para 8.493 (3.338%).

Como cresceu cada tipo de deficiência

O ritmo de crescimento de cada tipo de deficiência desde 2010 varia dentro dos próprios estados que lideram o ranking. No Ceará, os três tipos de deficiência com série histórica disponível cresceram de forma parecida. O número de eleitores com dificuldade de locomoção saltou de 663 para 30.972 (+4.571%), já o de eleitores com deficiência visual foi de 440 para 19.882 (+4.419%) e “outros” passou de 997 para 44.962 (+4.410%).

Já no Piauí e no Acre, a quantidade de eleitores com deficiência visual foi a que mais cresceu proporcionalmente nos dois estados. No Piauí saiu de  178 para 8.223 (+4.520%), já os eleitores com dificuldade de locomoção saíram de 220 para 9.415 (+4.180%). No Acre, o crescimento de eleitores com deficiência visual foi de 3.756% (saindo de 39 para 1.504), enquanto com dificuldade de locomoção cresceu 2.342% (de 67 para 1.636).

A deficiência auditiva fica de fora dessa comparação histórica, pois o TSE não registrava essa categoria separadamente no cadastro eleitoral de 2010. Em 2026, os dados mostram o registro de 181.211 eleitores com deficiência auditiva no Brasil.

Já a categoria “Outros” é uma definição que o TSE não detalha. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas, o alto volume na categoria “Outros” ocorre porque o sistema do cadastro eleitoral conta apenas com opções básicas pré-definidas (como motora, visual e auditiva). Eleitores com deficiências não previstas nessas opções, como deficiências intelectuais, múltiplas ou psicossociais, acabam sendo registradas nesse item.

Ações de busca ativa e autodeclaração 

Para o TRE-AL, o crescimento expressivo no número de registros reflete tanto o caráter autodeclaratório do cadastro quanto ações diretas da Justiça Eleitoral para aproximar esses cidadãos do processo de votação. Como a informação sobre deficiência é declarada espontaneamente no momento do alistamento, atualização de dados ou coleta biométrica, investimentos institucionais em acessibilidade têm encorajado mais eleitores a realizarem a declaração.

No caso de Alagoas, entre as iniciativas estão o Serviço de Atendimento Eleitoral Domiciliar (SAED), que leva a estrutura dos cartórios até as residências de pessoas com mobilidade reduzida severa ou asilos, a utilização de veículos adaptados para transporte de eleitores e o projeto “Sessão Mais que Inclusiva”, que contou com seções eleitorais totalmente coordenadas por pessoas com deficiência física e intelectual.

A comunicação e a infraestrutura dos locais de votação também passaram por reformulações. Além da inserção progressiva de intérpretes de Libras em eventos, sessões institucionais e vídeos das redes sociais, houve uma força-tarefa dos cartórios para reavaliar e expandir o total de seções acessíveis, locais adaptados com rampas ou elevadores que garantem o acesso ao pleito sem barreiras físicas.

Metodologia

Estagiária sob supervisão da editoria

Dados abertos

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