De cada dez jovens que trabalharam no Maranhão em 2025, sete não tinham carteira assinada, proteção jurídica nem formalização trabalhista. O estado registrou o maior percentual de informalidade juvenil do Brasil com 71,27% da população ocupada entre 15 e 29 anos fora do mercado formal de trabalho.
Os dados, analisados pela Agência Tatu, são do painel da Secretaria Nacional da Juventude do Governo do Brasil, que contém informações retiradas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD/IBGE).
Além do Maranhão, todos os outros estados que compõem o ranking das cinco maiores taxas de informalidade entre jovens de 15 a 29 anos, em 2025, pertencem às regiões Norte e Nordeste: Piauí (66,78%), Bahia (64,46%), Amazonas (63,78%) e Paraíba (62,96%).
Série temporal
Enquanto a informalidade no Brasil recua desde 2023, passando de 48,57% para 46,96% em 2025, o Maranhão apresenta oscilações. O estado registrou uma queda de 71,68% em 2023 para 68,46% em 2024, no entanto voltou a subir para 71,27% em 2025.
Trabalhar na informalidade significa, na prática, estar fora da rede de proteção trabalhista, sem carteira assinada, FGTS, acesso à previdência social ou estabilidade.
Para Luciana Caetano, professora do curso de Economia da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), esse cenário está diretamente ligado à nossa história econômica. Ela explica que o mercado de trabalho é definido pela estrutura produtiva e que as regiões Norte e Nordeste assumiram uma posição periférica, notadamente na produção industrial, desde a transição para o ciclo do café, o que explicaria estados como Santa Catarina (29,55%), São Paulo (36,59%) e Rio Grande do Sul (36,47%) possuírem a menor taxa de informalidade entre os jovens no país.
“No início do século XX, na transição do modelo agroexportador para o modelo de substituição de importação, a produção industrial ficou concentrada na região Sudeste, favorecida também pela infraestrutura logística para distribuição. Norte e Nordeste têm avançado, mas a posição continua sendo periférica, o que se reflete nas ocupações”, pontua.

Entretanto, ela comenta que os jovens aceitam esse tipo de trabalho informal também pela falta de experiência. “A ausência de vínculos formais em conformidade com as habilidades ou formação desse jovem é um fator central. Em geral, a população mais jovem tem mais dificuldade de ingressar no mercado de trabalho em razão da falta de experiência”, afirma.
As consequências são imediatas. Quem está na informalidade não tem direito a férias, 13º salário, folga remunerada nem contribuição para a aposentadoria. “Financeiramente, isso representa uma grande desvantagem ao trabalhador, mesmo que esteja ganhando um pouco mais por mês”, diz a economista.
A renda irregular também dificulta o planejamento de vida. “Na informalidade, há incertezas e riscos mais elevados de ficar sem renda por tempo indeterminado, a depender das circunstâncias, a exemplo do que ocorreu na pandemia”, acrescenta.
Apesar de informalidade não ser o mesmo que precariedade, já que é possível haver precariedade mesmo em empregos formais, na prática, a fronteira é tênue. “A informalidade, normalmente, está associada à precarização, posto que a ausência de direitos trabalhistas já caracteriza um grau elevado de precarização”, aponta a economista.
Para jovens, a informalidade não é necessariamente permanente, ela tende a diminuir conforme avançam na formação e ganham experiência, segundo Caetano. “Jovens são pessoas em formação e, a cada avanço, são criadas novas oportunidades no mercado de trabalho. Todavia, durante o tempo que estiver na informalidade, estará desamparado da legislação trabalhista”, completa.