Se algum dia o sol foi vilão da agricultura familiar nas áreas mais secas do Nordeste, esse tempo vai ficando para trás.
A posição privilegiada para captação de calor e luz solar tem feito a região avançar na modernização energética, com a instalação de placas solares nas pequenas propriedades.
Isso vem sendo possível com apoio de uma ação do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), o Agroamigo Sol. Por meio do programa de microcrédito, o BNB viabilizou a instalação de energia solar em mil pequenas propriedades rurais só em 2025. O aumento foi de 74% em um ano, com investimento de quase R$ 2 milhões.
A novidade tem sido muito bem aceita. Agricultores viram o valor da conta de luz despencar, e agora pensam em investir em mais equipamentos e até em aparelhos elétricos para casa, como você vai ver por meio de duas histórias inspiradoras.
Neste primeiro vídeo que você assistiu, o casal de agricultores Leandra dos Santos e Josival Zeferino, donos de uma área de dez tarefas em Limoeiro de Anadia, Agreste de Alagoas, conta por que a propriedade está bem mais produtiva desde o começo deste ano. Se você não viu, volte para conferir!

Agricultura familiar leva comida à mesa do brasileiro
Quando a agricultura familiar cresce, a segurança alimentar ganha força, já que a oferta e o preço acessível ficam mais assegurados.
A relevância das pequenas produções de alimentos pode ser medida em números, e eles são expressivos. No Brasil, elas produzem em média 70% da comida que vai para a mesa da população.
Em Alagoas, os índices não são diferentes. No gráfico a seguir, é possível ver o percentual de participação da agricultura familiar nas lavouras permanentes do estado:

Nas lavouras temporárias, que incluem abacaxi, amendoim, fava e melancia, por exemplo, o percentual varia de 55% até 100%:

E na produção de rebanho e produtos da pecuária, também são os pequenos que dominam produções como a de cera de abelha, patos e coelhos:

Neste segundo vídeo, Seu João Teixeira e o filho Adrian dos Santos, criadores de gado e donos de um açougue em Taquarana, Agreste de Alagoas, relatam as melhorias que o microcrédito tem proporcionado aos negócios. Eles até já pensam em novos investimentos. Assista!
Por meio do financiamento que adquiriram com o BNB, puderam instalar energia solar com subsídio do governo federal. Eles foram atraídos pelos juros baixos, pagamento facilitado e orientação técnica oferecida pelo Agroamigo Sol.
O propósito do programa é facilitar o acesso à energia fotovoltaica e aumentar a competitividade dos pequenos empreendedores rurais, principalmente, no Nordeste.

Zona rural amplia mais de 2000% capacidade de produzir energia
Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) confirmam a tendência vertiginosa de crescimento e o potencial que a zona rural alagoana possui para investir em energia solar, e se beneficiar dela.
Na região, a capacidade instalada acumulada saltou de mil quilowatts, em 2019, para 22 mil quilowatts em 2025, crescimento de mais de 2000%.

Capacidade instalada acumulada é um índice que nos diz quanto de energia dá para produzir com os painéis e usinas em funcionamento em determinado local.
Para entender melhor o que esse total representa, é cerca de um quinto da capacidade existente na capital, Maceió, somando residências, comércios, indústrias e setor público.
E a projeção para os próximos dez anos é de mais avanço. A EPE estima que, em 2035, a potência instalada em toda Alagoas será 80% maior do que era no ano passado. E no país, o índice vai quase dobrar.
Para a agricultura familiar, o novo cenário representa uma transformação: menos custos, mais sustentabilidade, maior resiliência diante de mudanças climáticas e novas oportunidades de mercado.
A transição energética é também um dos principais instrumentos de modernização e inclusão no campo, com impactos positivos para as famílias, o meio ambiente e a economia rural.
Publicado em 23/06/2026, às 13h25