Alagoas tem o menor número de casos de Sífilis do Nordeste

Profissionais alertam para cuidados preventivos, diagnóstico precoce e tratamento

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Além da campanha de combate e prevenção ao câncer de mama, o mês de outubro é voltado para o combate à Sífilis e à Sífilis Congênita. Em 2019, Alagoas registrou 400 casos de Sífilis adquirida. Uma redução de 24% em relação a 2018, quando o estado registrou 531 casos.

Os dados do Ministério da Saúde (MS) abrangem o período de janeiro de 2010 até o fim de 2019 e foram analisados pela Agência Tatu. De acordo com o MS, Alagoas foi o estado nordestino que menos diagnosticou novos casos de sífilis em 2019. Foram 400 novos casos, o que representa 12 casos a cada 100 mil habitantes.

Os dados de 2020 ainda estão sendo contabilizados e por isso não foram utilizados na produção desta reportagem.



Por outro lado, Pernambuco registrou a maior quantidade de casos da região em 2019, tanto em números absolutos quanto proporcionalmente com 7.673 pessoas infectadas. Uma taxa de 80 casos a cada 100 mil habitantes.



No Brasil, foram diagnosticados 152.915 casos de sífilis em 2019. Já em 2018 foram 158.966 novos casos registrados no país. Essa foi a primeira redução no número de casos desde o início da série histórica, iniciada em 2010.



Sífilis em grávidas 

A sífilis é uma doença que pode passar das mães para os filhos ainda no ventre, sendo conhecida como sífilis congênita e grande responsável por abortos ou sequelas. Somente em 2019 foram 61.127 grávidas diagnosticadas com a IST em todo o país. Uma taxa de 20,8 casos a cada mil nascidos vivos. Em 2018, esse número havia sido de 63.182 casos.

A maioria dos casos em gestantes foram diagnosticados ainda no 1º trimestre de gravidez, 38% do total. Nesse mesmo período, o número de casos de sífilis congênita (adquirida da mãe) em crianças menores de um ano foi de 8,2 a cada mil nascidos vivos. Também um número menor que o do ano anterior, quando 9 em cada mil crianças que nasceram vivas foram diagnosticadas com a doença.

Sífilis tem tratamento gratuito e cura

Segundo a enfermeira e Gerente do Programa IST/HIV/Hepatites da Secretaria de Saúde de Maceió, Géssyca Cavalcante de Melo, a sífilis é uma doença causada por uma bactéria e pode ser transmitida por relação sexual desprotegida ou da mãe para o filho durante a gravidez, que é a Sífilis Congênita.

Entre os sintomas mais comuns da doença estão: manchas vermelhas, que podem aparecer na pele, boca, nariz, palma das mão e planta dos pés; pele descamando; dor de cabeça; garganta; dor muscular e febre leve. “A doença é curável de fácil diagnóstico e tratamento. O tratamento é realizado com algumas doses de penicilina benzatina por via injetável”, relata a enfermeira, que reforçou a importância de consultar um médico ao notar qualquer um desses sintomas.

Géssyca reforça que é importante as mães grávidas fazerem o tratamento para Sífilis, pois o tratamento também irá curar a criança. “Quanto mais cedo o tratamento nela, menores serão os danos para a criança”, afirma. Por fim, a enfermeira ressalta que o uso de preservativos e os testes rápidos são essenciais para o diagnóstico e prevenção da doença.

Questionada sobre os possíveis motivos que levaram a 2019 ter o menor número de casos do que os anos anteriores analisados, a enfermeira aponta que, em 2018, foram implementadas várias ações de enfrentamento à sífilis em Maceió e em todo o estado, como ampliação da testagem em ações extramuros e treinamentos, além de uso da  penicilina benzatina no tratamento.

*Estagiária sob a supervisão da Editoria

Dados abertos

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