O que é Mounjaro e por que a corrida pelo remédio já alimenta falsificações no Brasil

Busca por remédio para emagrecer explode no último ano e público se torna alvo do mercado clandestino

Imagem gráfica de ampola supostamente contendo tizerpatida irregular, com fita métrica ilustrando o uso da substância para emagrecimento no Brasil
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Impulsionado pela promessa de maior eficácia na perda de peso, o Mounjaro se tornou o novo objeto de desejo da população que procura por emagrecimento rápido. A Agência Tatu analisou dados do último ano do Google Trends sobre o interesse ao longo do tempo pelo termo “Mounjaro” na comparação com “Ozempic”, que foi o primeiro medicamento do tipo a chamar a atenção do mercado brasileiro. 

Em abril de 2025 as buscas por “Mounjaro” passaram a superar as buscas por “Ozempic”, isso ocorreu no mesmo período em que o Mounjaro foi lançado no mercado brasileiro com promessas de maior eficácia que seus concorrentes.

Veja o gráfico:

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A alta demanda, porém, abriu espaço para falsificações e contrabando, acendendo alerta entre médicos, autoridades sanitárias e da própria fabricante. Em carta aberta, o laboratório Eli Lilly, único autorizado a produzir a tirzepatida no Brasil, alerta que o uso de versões não originais do medicamento pode colocar a saúde em risco.

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288 ampolas supostamente contendo tizerpatida apreendidas em janeiro de 2026 pela Receita Federal em Fortaleza (Foto: Receita Federal)

“Quaisquer produtos comercializados simplesmente como tirzepatida não foram fabricados, estudados ou comercializados pela Lilly, e, portanto, não são aprovados pela Anvisa ou qualquer outra agência regulatória internacional”, informa o documento publicado pelo laboratório.

Mounjaro falsificado

Apesar dos riscos, diversas apreensões da substância têm sido realizadas nos últimos meses. Na última quarta-feira (25), a polícia desarticulou um grupo que produzia diversos tipos de drogas em um laboratório clandestino na cidade de Maceió-AL. Entre as apreensões foram encontradas ampolas com rótulos do medicamento Mounjaro.

É importante notar que as instruções de uso do produto mostram que a substância aprovada no Brasil é vendida exclusivamente na forma de canetas aplicadoras de uso único, não existindo registro para produtos vendidos em ampolas, como os apreendidos.

Para a médica Kennya Medeiros, pós-graduada em Nutrologia e especialista em emagrecimento, a fabricação e venda clandestina desses produtos representam um risco grave à saúde pública, podendo conter dosagens incorretas, substâncias diferentes das descritas e até contaminação por bactérias.

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Kennya Medeiros (Arquivo Pessoal)

“Os riscos incluem pancreatite, hipoglicemia, desidratação, infecções, reações adversas imprevisíveis e descompensações metabólicas. Além disso, o uso sem acompanhamento médico pode levar à perda excessiva de massa muscular, deficiências nutricionais e reganho de peso posterior”, alerta.

Kennya Medeiros explica que o mecanismo de ação do Mounjaro pode gerar um efeito metabólico mais intenso do que o Ozempic, mas destaca que a escolha depende do perfil metabólico, do fenótipo de obesidade, da presença de comorbidades e da tolerância individual de cada paciente.

A especialista reforça que a obesidade é uma doença crônica e exige tratamento médico estruturado. “O mais importante é compreender que emagrecimento sustentável não acontece com soluções rápidas, mas com estratégia, constância e acompanhamento profissional”, conclui.

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