Alagoas tem mais admissões do que demissões pela primeira vez neste ano

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Dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged)

Foto: Agência Brasil

Graziela França e Lucas Maia

Em maio, Alagoas apresentou mais pessoas admitidas do que demitidas nas empresas do estado pela primeira vez no ano. De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), analisados pela Agência Tatu, em maio foram admitidas 9.790 pessoas, enquanto 7.065 foram demitidas. Um saldo positivo de 2.725 novos contratados.

Apesar do número positivo em maio, as empresas alagoanas demitiram mais do que contrataram nos cinco primeiros meses de 2021. No total, foram mais de 10 mil postos de trabalhos perdidos no estado este ano. Enquanto 48.408 alagoanos foram empregados, 58.492 perderam seus empregos.

Março foi o mês com maior saldo de demissões: 8.459. Enquanto foram admitidas 10.199 pessoas, foram demitidas 18.658.

Entressafra da cana-de-açúcar aumenta número de desempregados

A categoria que mais perdeu postos de trabalho foi a dos trabalhadores da cana-de-açúcar. Os dados do Caged apontam que, este ano, apenas 2.360 pessoas foram admitidas no setor, enquanto 17.599 foram demitidas, o que resulta em um saldo de  15.239 desempregados. Especialista e sindicato dos trabalhadores apontam o período da entressafra como o maior responsável pelo aumento nas demissões.

“A safra é entre agosto e março, então, nesse mês, já começam as demissões. Dependendo do tamanho da usina, em janeiro já estava terminando. Esse ano melhorou um pouco e teve usina que terminou agora no começo de abril, mas foram só duas das 13 que temos em Alagoas”, explica Antônio Torres, presidente da Federação dos Trabalhadores Assalariados Rurais de Alagoas (Fetar/AL).

Ainda segundo o presidente da Fetar, em 2012 foi aprovado um programa que atende uma parte desses trabalhadores no período entressafra, que é o Amigo Trabalhador. 

“A gente queria que atendesse a 12 mil trabalhadores, mas só aprovou dois mil. Eles recebem um auxílio de R$130 por mês durante quatro meses e é válido para aquele trabalhador que atuou, ao menos, 30 dias no período anterior. Dentro desse programa já tem a contrapartida de qualificá-los, mas quando eles não conseguem participar, os cursos podem ser feitos por um filho ou esposa”, detalha.

Para a economista e professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Ana Célia Prado, a ligação do mercado de trabalho alagoano com a cultura da cana-de-açúcar explicam o porquê do aumento do desemprego no período da entressafra. 

“Alagoas ainda é muito dependente da indústria da cana-de-açúcar e do turismo. E com a safra que vai de setembro a março, em outros meses agrava a situação de empregos”, informa. 

Para a especialista, com a recuperação da economia e a flexibilização das medidas de distanciamento, como abertura de praias, restaurantes e facilitação da circulação de pessoas que visitam o estado,  a tendência é de melhoria nos índices.  “O maior número de demitidos se dá pelos motivos mencionados, que foram agravados pela pandemia, que colocou uma série de restrições de circulação de pessoas. A recuperação normal da economia e medidas de flexibilização explicam as melhoras dos dados”, completa Prado.

Brasil tem índice positivo

Nos cinco primeiros meses do ano, o país criou 1.233.372 postos de emprego. Enquanto foram admitidos 7.971.258, foram demitidos 6.737.886. 


DADOS ABERTOS | Prezamos pela transparência, por isso disponibilizamos a base de dados e documentos utilizados na produção desta matéria para consulta:
Dashboard do Caged

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