O Piauí registrou, em 10 anos, um aumento de 1482% no número de armas de fogo apreendidas, o maior crescimento registrado no país. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que em 2015 as forças policiais apreenderam 116 armas, enquanto em 2024 foram 1.826, um número de 16 vezes maior.
A Agência Tatu analisou o histórico de dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), que reúne as informações enviadas pelos estados, e observou que só em 2024 foram mais de 30 mil armas apreendidas no Nordeste, o equivalente a 82 por dia. O acumulado entre 2015 e outubro de 2024 totalizou 264.872 mil armas. Já no cenário nacional o número passou de 1 milhão.
Enquanto no Piauí houve o maior crescimento de apreensões ao comparar os números de 2015 e 2024, Alagoas registrou uma queda de 34%. Em 2015, a Secretaria Estadual de Segurança Pública apreendeu 1.987 armas e em 2024 o saldo foi de 1.311, a maior redução entre os estados do Nordeste.
O diretor do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, Roberto Moura, avalia que o aumento das apreensões é um fator positivo, mas pondera que a redução da violência em Alagoas pode estar associada a ações conjuntas.

“A apreensão de armas é uma aplicação do Estatuto do Desarmamento que reduz o índice de violência letal intencional. No caso de Alagoas, tivemos uma grande onda de violência letal em 2012, que vem passando por uma regressão a partir de uma integração das inteligências policiais e de um cenário de Estado policial presente, somado ao combate ao crime organizado”, destaca o advogado.
Segundo o secretário-executivo de Políticas de Segurança Pública da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas, coronel Patrick Madeiro, a redução de apreensões de armas em Alagoas é resultado de um histórico de operações intensivas. “Com planejamento estratégico e direcionamento das forças policiais para áreas com maior incidência criminal, o trabalho resultou na realização de grandes operações e em expressivas apreensões de armas de fogo, o que se refletiu diretamente na redução dos homicídios”, disse.

Estratégias do Governo do Piauí
A Secretaria de Segurança Pública do Estado do Piauí informou à reportagem que o aumento das apreensões não indica, necessariamente, maior circulação de armamentos ilegais, mas reflete o fortalecimento das estratégias de combate ao crime. Segundo a pasta, o resultado decorre do aumento dos investimentos, com uso de sistemas avançados e ferramentas de Inteligência Artificial para mapear rotas do tráfico de armas e identificar áreas com maior incidência criminal.
A secretaria acrescentou que houve intensificação de blitze estratégicas, patrulhamento em regiões críticas e criação de unidades especializadas, além de capacitação específica sobre armas industriais, de fabricação caseira ou adulteradas. “Essas ações estão diretamente ligadas ao enfrentamento de facções criminosas e quadrilhas envolvidas com tráfico de drogas e roubos, o que faz da apreensão de armas uma consequência direta da desarticulação desses grupos”, esclareceu.









