Nordeste é a região que menos reduziu casos de hanseníase no Brasil

Dados do Ministério da Saúde mostram redução de 33,1% de casos de hanseníase entre 2013 e 2022

hanseníase no nordeste
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A hanseníase é uma das doenças mais antigas do mundo e, mesmo assim, em 2022 ainda foram registrados 174.087 casos, sendo o Brasil o 2º país com maior quantidade de pessoas acometidas pela doença, segundo o Ministério da Saúde. No país, o Nordeste é a região que menos reduziu casos e é a segunda em maior número. Nesta terça-feira (30) é celebrado o Dia Mundial Contra a Hanseníase, que encerra a campanha do Janeiro Roxo. 

A Agência Tatu analisou o Boletim Epidemiológico da Hanseníase 2024 do Ministério da Saúde, divulgado no último dia 22 e constatou que a região Nordeste lidera o ranking das regiões que menos conseguiram reduzir os casos da doença. Em 2013 foram registrados 13.276 casos nos estados nordestinos, já em 2022 o número caiu para 8.879, o que representa uma redução histórica de 33,1%. Confira o gráfico abaixo:

Brasil reduz 36,7% de casos de hanseníase em 10 anos

Nordeste foi a região que menos sofreu redução (33,1%);

Apesar de registrar uma maior redução entre 2019 e 2020 e na sequência voltar a sofrer aumento, como mostra o mapa acima (passe o mouse sobre a região), o Ministério da Saúde contextualiza que os dados sofreram influência do subdiagnóstico causado pelo impacto da pandemia da Covid-19. Em todo país, foram 19.635 casos só em 2022.

Nordeste é a 2ª região com maior número de casos de hanseníase

Dados de 2022 mostram que centro-oeste lidera ranking por 100 mil habitantes

Em números proporcionais, o Nordeste é a segunda região com mais casos de hanseníase, com 16,3 casos a cada 100 mil habitantes, ficando atrás apenas do Centro-Oeste. A menor quantidade de casos entre as regiões do Brasil foi registrada no Sul com 2,2 casos a cada 100 mil habitantes. 

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Entre os estados nordestinos, Maranhão lidera o ranking com mais casos da doença, mais de 34 por 100 mil habitantes, considerando os dados mais atualizados de 2022. Na sequência aparecem Piauí e Pernambuco. Já Alagoas e Rio Grande do Norte registraram menos casos: 8,9 e 5,4 por 100 mil habitantes, respectivamente. Confira a lista completa:

Casos de hanseníase no Nordeste por 100 mil habitantes em 2022

  • Maranhão: 34,67 por 100 mil habitantes (2.349 casos)
  • Piauí: 22,73 (743 casos)
  • Pernambuco: 20,41 (1.849 casos)
  • Ceará 12,99 (1.142 casos)
  • Bahia 11,96 (1.691 casos)
  • Sergipe: 11,68 (258 casos)
  • Paraíba: 9,79 (389 casos)
  • Alagoas: 8,92 (279 casos)
  • Rio Grande do Norte: 5,42 (179 casos)

70,4% das pessoas acometidas são negras ou pardas

O levantamento do Ministério da Saúde mostra também, na página 54, que a hanseníase - conhecida no passado como lepra e carregada de estigma e discriminação - é mais prevalente em populações que vivem em condições de vulnerabilidade social. De todos os casos registrados, 70,4% foram em pessoas negras ou pardas e a maioria (56,3%) analfabeta ou com ensino fundamental completo ou incompleto. 

Janeiro Roxo

A campanha Janeiro Roxo alerta a sociedade sobre o combate à hanseníase. Além da data mundial, no Brasil foi instituído o último domingo do mesmo mês como Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase. O país segue classificado como prioritário pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no combate à doença. 

A técnica do Programa de Controle da Hanseníase de Maceió, Andrea Silva, destaca que apesar da diminuição de casos o quadro ainda não é satisfatório. “A redução mostra a eficácia do tratamento e intensificação dos dados no sistema de informação, mas a situação não é confortável, pois temos um diagnóstico tardio dos casos com elevada proporção de casos mais avançados da doença e já apresentando alguma deformidade física”, alerta.

A hanseníase é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium Leprae, que  se reproduz lentamente com um período médio de incubação e aparecimento dos sinais em aproximadamente cinco anos. Entre os sintomas estão as manchas esbranquiçadas, amarronzadas e avermelhadas na pele com mudanças na sensibilidade dolorosa, térmica e tátil. O SUS disponibiliza o tratamento e  acompanhamento dos pacientes em unidades básicas de saúde e em referência.

Dados abertos

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