Impulsionado pela promessa de maior eficácia na perda de peso, o Mounjaro se tornou o novo objeto de desejo da população que procura por emagrecimento rápido. A Agência Tatu analisou dados do último ano do Google Trends sobre o interesse ao longo do tempo pelo termo “Mounjaro” na comparação com “Ozempic”, que foi o primeiro medicamento do tipo a chamar a atenção do mercado brasileiro.
Em abril de 2025 as buscas por “Mounjaro” passaram a superar as buscas por “Ozempic”, isso ocorreu no mesmo período em que o Mounjaro foi lançado no mercado brasileiro com promessas de maior eficácia que seus concorrentes.
Veja o gráfico:
A alta demanda, porém, abriu espaço para falsificações e contrabando, acendendo alerta entre médicos, autoridades sanitárias e da própria fabricante. Em carta aberta, o laboratório Eli Lilly, único autorizado a produzir a tirzepatida no Brasil, alerta que o uso de versões não originais do medicamento pode colocar a saúde em risco.

“Quaisquer produtos comercializados simplesmente como tirzepatida não foram fabricados, estudados ou comercializados pela Lilly, e, portanto, não são aprovados pela Anvisa ou qualquer outra agência regulatória internacional”, informa o documento publicado pelo laboratório.
Mounjaro falsificado
Apesar dos riscos, diversas apreensões da substância têm sido realizadas nos últimos meses. Na última quarta-feira (25), a polícia desarticulou um grupo que produzia diversos tipos de drogas em um laboratório clandestino na cidade de Maceió-AL. Entre as apreensões foram encontradas ampolas com rótulos do medicamento Mounjaro.
É importante notar que as instruções de uso do produto mostram que a substância aprovada no Brasil é vendida exclusivamente na forma de canetas aplicadoras de uso único, não existindo registro para produtos vendidos em ampolas, como os apreendidos.
Para a médica Kennya Medeiros, pós-graduada em Nutrologia e especialista em emagrecimento, a fabricação e venda clandestina desses produtos representam um risco grave à saúde pública, podendo conter dosagens incorretas, substâncias diferentes das descritas e até contaminação por bactérias.

“Os riscos incluem pancreatite, hipoglicemia, desidratação, infecções, reações adversas imprevisíveis e descompensações metabólicas. Além disso, o uso sem acompanhamento médico pode levar à perda excessiva de massa muscular, deficiências nutricionais e reganho de peso posterior”, alerta.
Kennya Medeiros explica que o mecanismo de ação do Mounjaro pode gerar um efeito metabólico mais intenso do que o Ozempic, mas destaca que a escolha depende do perfil metabólico, do fenótipo de obesidade, da presença de comorbidades e da tolerância individual de cada paciente.
A especialista reforça que a obesidade é uma doença crônica e exige tratamento médico estruturado. “O mais importante é compreender que emagrecimento sustentável não acontece com soluções rápidas, mas com estratégia, constância e acompanhamento profissional”, conclui.









