Metade dos eleitos que usaram profissão no nome de urna vem da segurança pública

“Doutor” é o termo mais frequente entre os 177 eleitos que adotaram ocupação no nome; 53 dos 59 que o usaram são médicos

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Metade dos eleitos em 2026 que incluíram a profissão no nome de urna tem ligação com a segurança pública. Dos 1.774 candidatos eleitos no primeiro turno, 177 registraram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um nome com referência à ocupação ou à forma como são conhecidos publicamente. Desses, 89 usaram cargos ou patentes policiais e militares, como delegado, coronel e sargento.

O termo mais usado, no entanto, é “doutor”. Um em cada três desses eleitos (59) adotou “doutor”, “doutora”, “dr.” ou “dra.” no nome de urna, e 53 deles declararam ser médicos. Os dados são do TSE e foram analisados pela Agência Tatu.

Cargos e ocupações no nome de urna

Número de candidatos que usaram cargo ou ocupação no nome de urna

Total de candidatos177
Segurança e patentes89 (50%)
Título e profissão civil76 (43%)
Religiosos12 (7%)
Segurança e patentes (89) Título e profissão civil (76) Religioso (12)
Doutor(a) 59; Delegado(a) 35; Coronel 19; Professor(a) 16; Sargento 11; Pastor(a) 10; Capitão 8; Cabo 5; Soldado 3; General 2; Padre 2; Tenente 2; Comandante 1; Engenheiro(a) 1; Guarda Civil Municipal 1; Major 1; Subtenente 1.

Agrupamento por categoria feito para fins de visualização.

Delegados e coronéis na frente

Entre os 89 eleitos da área de segurança pública, 35 usaram “delegado” ou “delegada”, 19 usaram “coronel” e 11, “sargento”.

“Doutor” sem doutorado

Dos 59 eleitos que usaram “doutor” no nome, 53 declararam exercer a medicina, cinco a advocacia e um não informou a ocupação. Médicos e advogados costumam ser chamados de “doutor” mesmo sem esse título acadêmico. O termo funciona como tratamento associado à profissão.

Em alguns casos, o título nem é do próprio candidato. A deputada estadual eleita por Sergipe Kaline de Dr. Bernardo (União Brasil), que declarou ser advogada, faz referência ao marido no nome de urna.

O PL é o partido com mais eleitos que usam “doutor” no nome: 14. Em seguida vêm o MDB, com sete, e Podemos, União Brasil e PT, com seis cada.

A maioria desses eleitos é branca. Entre os 58 que se declararam médicos ou advogados, 40 são brancos, 17 são pardos e dois são pretos: os deputados federais Thales Coelho (PT-PI) e Taíssa Sousa (União Brasil-PB).

Professores, pastores e padres

Além de médicos e advogados, a profissão civil mais presente nos nomes de urna é a de professor, com 16 eleitos. Há ainda um engenheiro. Ao todo, as profissões civis somam 76 eleitos (43%).

Os religiosos são 12 (7%): dez se apresentam como pastor e dois como padre.

Metodologia

A Agência Tatu considerou os candidatos eleitos no primeiro turno das eleições de 2026 cujo nome de urna, registrado no TSE, inclui referência à profissão ou à forma como são conhecidos publicamente. A classificação levou em conta o termo usado no nome, e não a ocupação declarada. Por isso, casos como o de Kaline de Dr. Bernardo entram na contagem de “doutor”. Os eleitos foram agrupados em três categorias: segurança pública, profissões civis e religiosos.

Dados abertos

Prezamos pela transparência, por isso disponibilizamos a base de dados e documentos utilizados na produção desta matéria para consulta:

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