Onde estão os casos suspeitos de leptospirose em Alagoas após enchente

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Até esta quinta (22), seis óbitos foram confirmados e quatro estavam em investigação, segundo Boletim Epidemiológico da Sesau

Pessoas caminham dentro d’água em rua alagada no bairro de Bebedouro, em Maceió (Foto: Lucas Thaynan/Agência Tatu)

Por Micaelle Morais

Mais do que os prejuízos materiais imediatos, a enchente que atingiu diversos municípios alagoanos no final do mês de maio trouxe sérios problemas de saúde à população. Até esta quinta-feira (22), foram registradas 10 mortes suspeitas por leptospirose no estado, sendo seis confirmadas e quatro ainda em investigação, segundo a Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau).

Do total de óbitos, cinco foram confirmados na capital e um em União dos Palmares. Das 10 mortes, em três casos houve coleta de vísceras, o que vai permitir a confirmação diagnóstica por critério laboratorial. Com relação ao sexo e à faixa de idade, a maioria das mortes foi de pacientes do sexo masculino (70%) e a distribuição ocorreu por todas as faixas etárias, com maior número acima dos 30 anos.


Os dados relativos ao monitoramento da doença pós-enchente estão sendo contabilizados desde 30 de maio pela secretaria e são divulgados por meio de boletins epidemiológicos. De acordo com o relatório mais recente, 57 casos suspeitos de leptospirose foram identificados em habitantes dos municípios de Atalaia, Capela, Cajueiro, Coruripe, Maceió, Marechal Deodoro, Palmeira dos Índios, Pilar e União dos Palmares.

Em relação aos 47 casos notificados, sem contar os óbitos, a Sesau confirmou a leptospirose em 10, e os 37 restantes seguem sob investigação. No caso do perfil dos pacientes notificados com suspeita da doença no período pós-enchente, predomina o sexo masculino, com 33 pessoas atingidas, e crianças e jovens entre 10 e 19 anos, representando 30% do total.

Quanto à localização, o município com o maior número de casos suspeitos é Atalaia, com 20. Já Maceió aparece com o maior número de confirmações da doença: 8. A Agência Tatu elaborou um mapa interativo onde é possível consultar onde estão as notificações de casos suspeitos, incluindo confirmados e em investigação. Veja abaixo:

Transmitida pela urina de roedores infectados pela bactéria leptospira, a doença se espalha por meio do contato das pessoas com a água contaminada. A Sesau orienta que, ao procurar assistência médica, os pacientes devem informar que tiveram contato com água das enchentes, já que a doença também tem sintomatologia parecida com a dengue e chikungunya e pode acabar sendo negligenciada.

“Os sintomas iniciais da leptospirose são bastante comuns, os pacientes sentem dores musculares, dores de cabeça e febre súbita. Já na fase mais grave da doença, a pessoa começa a ter fortes dores na panturrilha, o fígado fica comprometido com o aparecimento de icterícia, quando a pele apresenta um aspecto amarelado, e surgem complicações renais e hemorragias”, explica a coordenadora do Programa de Combate à Leptospirose da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), Silvana Tenório.

A técnica da Sesau alerta para a importância do rápido diagnóstico da doença com o intuito de evitar que o quadro evolua para o óbito. “Se o paciente se expôs as águas contaminadas das enchentes sem proteção, e o período do contato foi nos últimos 30 dias, é necessário procurar a unidade de saúde mais próxima ao sentir os primeiros sintomas, evitando se automedicar”.

Atendimento médico

De acordo com a Sesau, os doentes que apresentarem os sintomas iniciais devem procurar as Unidades de Pronto Atendimento (UPA), os Ambulatórios 24 Horas em Maceió, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) dos municípios e o Hospital de Campanha do Exército. Nos casos mais graves da leptospirose, o paciente deve ser encaminhado para o Hospital Escola Hélvio Auto (HEHA), unidade de referência para os atendimentos da doença.

 


DADOS ABERTOS – Prezamos pela transparência, por isso disponibilizamos a base de dados e documentos utilizados na produção desta matéria para consulta:


 

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