Pernambuco tem a 2ª menor redução do analfabetismo entre pessoas negras em nove anos

Maranhão é o estado do Nordeste com a maior redução

25.06 Analfabetismo CAPA 1 - Pernambuco tem a 2ª menor redução do analfabetismo entre pessoas negras em nove anos
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Todos os estados do Brasil registraram queda na taxa de analfabetismo entre pessoas negras com 15 anos ou mais entre 2016 e 2025. No entanto, em Pernambuco o analfabetismo entre pessoas pretas e pardas caiu apenas 13% no período, a segunda menor redução do Brasil nesse recorte, superando apenas o Amapá, onde a redução do analfabetismo entre pessoas negras foi inferior a 2%. Na região Nordeste, o Maranhão teve o melhor desempenho regional, reduzindo em 31% a taxa de analfabetismo da população negra. No entanto, nenhum estado nordestino conseguiu figurar entre as 10 unidades da federação onde o combate ao analfabetismo foi mais eficiente.

Os dados analisados pela Agência Tatu têm como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. A série histórica, referente ao período de 2016 a 2025, foi recalculada com base nos resultados do Censo Demográfico de 2022 e divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2016, a taxa de analfabetismo entre pessoas pretas ou pardas em Pernambuco era de 12,9%. Em 2025, o índice passou para 11,2%, o que representa uma redução de 13%. No Nordeste, o Maranhão apresentou o melhor desempenho: a taxa caiu de 16,6% para 11,4% no período, uma redução de 31,3%.

No cenário nacional, Santa Catarina apresentou a maior redução da taxa de analfabetismo entre pessoas pretas ou pardas, com queda de 56%. Em seguida aparecem Roraima (45%) e Goiás (42%). O Amapá registrou o pior desempenho no comparativo dos últimos nove anos, com redução de apenas 1,9%. Pernambuco aparece na penúltima colocação do ranking, à frente apenas do Amapá, com queda de 13%. Logo acima está o Distrito Federal, com redução de 17,8%.

No mapa acima, é possível conferir os dados tanto de pessoas pretas ou pardas quanto de pessoas brancas. Entre estas últimas, o Rio Grande do Norte registrou redução de 43% na taxa de analfabetismo: o índice passou de 10,8%, em 2016, para 6,1%, em 2025. O resultado colocou o estado na terceira posição nacional, atrás apenas de Minas Gerais (46%) e Amazonas (45%).

Queda do analfabetismo avança em ritmos diferentes pelo país

No Nordeste, havia 4,694 milhões de pessoas pretas ou pardas analfabetas com 15 anos ou mais em 2016. Em 2025, esse contingente caiu para 3,820 milhões, uma redução absoluta de 874 mil pessoas.

A análise da reportagem mostra que a variação das taxas de analfabetismo entre pessoas brancas e pretas ou pardas foi semelhante nas cinco regiões do país, que mantiveram as mesmas posições no ranking em ambos os recortes por cor ou raça.

Mesmo assim, o ritmo de queda é diferente entre os estados. O Centro-Oeste apresentou o melhor desempenho no período. A taxa caiu de 6% para 3,7%, uma redução de 38%. Já o Nordeste registrou o menor avanço, com queda de 24%. Em 2016, a taxa era de 14,9% e, nove anos depois, recuou para 11,3%.

Taxa de analfabetismo em 2025

As taxas divulgadas pelo IBGE para 2025 mostram que os estados do Nordeste concentram os maiores índices de analfabetismo entre pessoas pretas ou pardas com 15 anos ou mais. Alagoas lidera o ranking, com taxa de 14,2%, seguido por Piauí (13,8%) e Paraíba (12,6%).

Na outra ponta, os menores índices foram registrados no Rio de Janeiro (2%), Distrito Federal (2,3%) e Santa Catarina (2,4%).

Nordeste avança, mas desafios persistem

Doutor em Educação, Givanildo da Silva avalia que o analfabetismo continua sendo um dos problemas mais persistentes da educação brasileira e está diretamente relacionado às desigualdades sociais e econômicas, especialmente nas regiões mais vulneráveis do país. “O analfabetismo deve ser compreendido como o reflexo de uma condição sócio-histórica que repercute diretamente na escolarização do país”, afirma.

Ao examinar o cenário nordestino, o professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) destaca que a região foi marcada por questões sociais e políticas, que comprometeram seu desenvolvimento educacional. “A região Nordeste foi penalizada por negligências sociais e políticas, tais como o trabalho infantil, o desemprego, a fome e a desigualdade no acesso e na permanência na escola. Esse panorama prejudicou seus indicadores educacionais no mapa nacional”, observa o educador.

Givanildo da Silva professor - Pernambuco tem a 2ª menor redução do analfabetismo entre pessoas negras em nove anos
Givanildo da Silva, doutor em Educação

Apesar dos desafios, o pesquisador ressalta que os indicadores mais recentes apontam uma mudança gradual, impulsionada por políticas públicas voltadas para a educação. No entanto, defende que o avanço depende da ampliação dos investimentos em áreas estratégicas. “É urgente intensificar investimentos em eixos fundamentais: a valorização salarial e a formação inicial e continuada dos profissionais, a melhoria da infraestrutura escolar e a consolidação de políticas de permanência estudantil”, enfatiza.

Para Givanildo, os avanços registrados representam um marco importante na superação de problemas históricos do Nordeste, embora os resultados da educação demandem tempo para se consolidar. “Pensar a educação exige paciência histórica, visto que os resultados são colhidos a longo prazo”, pondera. Segundo ele, as mudanças observadas atualmente já demonstram uma ruptura gradual com o passado e apontam para uma melhoria consistente dos indicadores educacionais da região.

Cenário nacional

Em todo o país, havia 8,4 milhões de pessoas acima de 15 anos analfabetas em 2025, ou seja, 4,9% da população brasileira. É a primeira vez, desde 2016, que esse indicador fica abaixo de 5%. Em comparação com 2024, o Brasil passou a ter 592 mil pessoas a menos com 15 anos ou mais incapazes de ler e escrever um bilhete simples.

Mais da metade da população analfabeta do país, cerca de 4,8 milhões de pessoas, estava concentrada no Nordeste, cuja taxa chegou a 10,6%. Em seguida aparecem as regiões Norte (5,7%), Centro-Oeste (3,3%), Sul (2,4%) e Sudeste (2,3%).

Apesar do avanço, a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que previa a erradicação do analfabetismo até 2024, ainda não foi alcançada.

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